Os pés balançam sobre nada. Sentado, me seguro na beira do precipício. Sem luz atrás, sem luz a frente, vejo apenas meu corpo neste instante efêmero.
O Vazio a frente me olha. Aquela imensidão, que tão bem me conhece, tem olhos negros de piedade. Ele me diz que quanto mais vazios, mais profundos somos, e mais de toda a criação nós podemos conter.
Eu olho o Vazio a frente. Esta tempestade, que tão bem o conhece, tem olhos negros de fúria. Eu lhe digo que do que os outros criaram pouco se aproveita, que uma cova rasa é o suficiente para se conter tudo o que me interessa.
O Vazio sorri. A piedade de seus olhos se esvai, pois ela era apenas malícia o tempo todo. Ele me diz que nada que existe fora jamais irá me confortar como o que existe dentro. Me diz que Ser é Sofrer, que Existir é se Perder, que me cercar de tudo que não sou Eu é me roubar de minhas maiores dimensões.
Eu sorrio. A fúria em meus olhos se esvai, pois ela era apenas malícia o tempo todo. Eu lhe digo que nada que existe fora jamais irá afetar o que existe dentro. Lhe digo que Existir não é Ser, e que Sofrer não é Perder, que não é o que me cerca que me define, e sim as minhas maiores dimensões, tão vastas que apenas eu conheço e que nada que não sou eu pode definir.
Nós nos entreolhamos pois sabemos. Sabemos que não existe beira de precipício, que quem Existe fora não é quem nós Somos realmente. Sabemos que não existe um eu e um ele, que nós somos o mesmo, infinito, com espaços se dobrando sobre si mesmos e crescendo internamente, sem acabar nunca mais... E que, do lado de fora, somos apenas um rosto, uma voz sorrindo, uma pessoa que esconde o maior segredo do mundo.
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sábado, 11 de junho de 2016
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Into the dark, darkening night, a gentle breeze comes from skies high and sweeps down the faces of men. The cold that creeps over their skins is not akin from those that craw up your spine as you walk into a cemetery. Yes, that cold breeze is the same cold breath from the dead.
But this air that I feel has something incredible; this air that can fill my lungs also fulfills my soul and some hunger I no longer remembered I had. And I see in the dark sky a blacker mass that the wind brings in skies high: the roar of thunder, the cloud of rain, they are reaching out to me again. My perfect storm, for so long away, it is returning to where it came to fill my lungs and feed my soul, my hunger for power and purpose.
It is welcome, the storm can feel it, the sizzling wind sweeps up my face and I feel its powerful embrace. It recharges me and I am born anew, to see the world in a way that I alone knew how. The electric blue of lightning touches my skin and is transformed into a golden gleam. The hurricane sharpens the blade in my right hand, so sharp it can cut a thought before it is had. The rain arrives and washes away the pieces of past that cling on to me, memories of the time I forgot who I was.
And the breath of the dead that brings the cold, to me is the mark of greater events to unfold in this world that, once again, I am able to see. And nevermore shall my storm be swept away from me!
But this air that I feel has something incredible; this air that can fill my lungs also fulfills my soul and some hunger I no longer remembered I had. And I see in the dark sky a blacker mass that the wind brings in skies high: the roar of thunder, the cloud of rain, they are reaching out to me again. My perfect storm, for so long away, it is returning to where it came to fill my lungs and feed my soul, my hunger for power and purpose.
It is welcome, the storm can feel it, the sizzling wind sweeps up my face and I feel its powerful embrace. It recharges me and I am born anew, to see the world in a way that I alone knew how. The electric blue of lightning touches my skin and is transformed into a golden gleam. The hurricane sharpens the blade in my right hand, so sharp it can cut a thought before it is had. The rain arrives and washes away the pieces of past that cling on to me, memories of the time I forgot who I was.
And the breath of the dead that brings the cold, to me is the mark of greater events to unfold in this world that, once again, I am able to see. And nevermore shall my storm be swept away from me!
sábado, 23 de julho de 2005
Antigas Escrituras #9
Não era uma questão de tempo, mas sim uma batalha de vontades. Por eons ele buscou os reinos superiores onde sua essência era aprisionada, onde seu próprio espírito estava isolado. Fundamentalmente intocável, seu poder lhe chamava.
Houve então momento em que Lord Gabe MacArthur, em suas buscas sombrias de respostas e alívio para o peso que ele não carregava, se entregou e sucumbiu. Não havia mais uma chama, um clamor de vida nele, pois percebera que não era vivo. Estava além das qualificações já existentes e dos adjetivos já criados. Nada nesse mundo lhe era permitido e nada no outro mundo lhe era revelado. "É um cárcere, sem barras para serrar e sem paredes para quebrar."
Buscara em vão esperanças que não queria, por mais que vasculhasse os palácios mais soberbos e os cantos mais escuros nada encontrara. Os maiores feitos levavam sua marca, mas mesmo assim, o reconhecimento não lhe dava o poder que queria: a queda de Cthulhu, a pilhagem de Valhalla. Fizera de tudo, não tinha mais idéias. Acabou.
No fim de todas as coisas, percebeu que não se trata do objetivo, da meta, mas sim da escolha do caminho a percorrer, dos marcos que você deixa no seu rastro. Não da estrada em si, mas sim das marcas que você deixa nela.
Ele escolhera a estrada errada, e não a marcou como queria.
Houve então momento em que Lord Gabe MacArthur, em suas buscas sombrias de respostas e alívio para o peso que ele não carregava, se entregou e sucumbiu. Não havia mais uma chama, um clamor de vida nele, pois percebera que não era vivo. Estava além das qualificações já existentes e dos adjetivos já criados. Nada nesse mundo lhe era permitido e nada no outro mundo lhe era revelado. "É um cárcere, sem barras para serrar e sem paredes para quebrar."
Buscara em vão esperanças que não queria, por mais que vasculhasse os palácios mais soberbos e os cantos mais escuros nada encontrara. Os maiores feitos levavam sua marca, mas mesmo assim, o reconhecimento não lhe dava o poder que queria: a queda de Cthulhu, a pilhagem de Valhalla. Fizera de tudo, não tinha mais idéias. Acabou.
No fim de todas as coisas, percebeu que não se trata do objetivo, da meta, mas sim da escolha do caminho a percorrer, dos marcos que você deixa no seu rastro. Não da estrada em si, mas sim das marcas que você deixa nela.
Ele escolhera a estrada errada, e não a marcou como queria.
sexta-feira, 15 de abril de 2005
Antigas Escrituras #6
Esquizofrenia. É tudo em que o mundo resulta. O resultado último do crescimento do ser, da quebra dos laços do coletivo para que o individual possa crescer e se tornar suficiente... Mas ele não sabe disso, por nunca ter sido nada diferente de individual... Ele é aquele que representa ao Todo e, por isso mesmo, sem semelhantes.
Conforme Lord Gabe MacArthur caminha no leito profundo do mar, a poeira da lama cobrindo suas pegadas, as sombras rodam e formam imagens na água. Pessoas, lugares, tempos diversos e tão frívolos quanto os reais: com apenas um gesto, ele dissolve as aparições num redemoinho gélido.
Está tão profundo que não existe vida ali. A pressão é constante, assassina, e o frio vence a chama de qualquer existência. Um lugar jamais tocado pela luz, sem cor ou som. Seria esse o fundo do mar ou apenas um retrato de seu interior? Uma pergunta tola que ele se faz... Mas ele não se permite pensar sobre si mesmo. Isso só faz aumentar o desgosto pela sua existência onírica e desejar mais ainda a sazonalidade do mundo. Enquanto o Universo que ele encarna persegue a eternidade, ele apenas quer um fim para tudo! Quanto mais ele pensa sobre si mesmo, mais transtorno esse paradoxo gera...
A verdade, porém, cruza sua mente como as pedras afiadas do solo cortariam seus pés, caso não se despedaçassem antes dele tocá-los: O Universo busca a eternidade, mas ele já é eterno... Ele não representa o Todo, ele está além disso, muito além. Ele é o vazio que fica quando o objetivo é conquistado e a dor de perceber que não era exatamente aquilo que deveria ser buscado. Ele é o sucesso, o ápice de tudo aquilo que a humanidade nem consegue imaginar. Enquanto eles buscam o Eterno ele já conquistou o Eterno, o Perfeito e o Infinito. Os três tesouros que a humanidade jamais terá, que ela busca eternamente e que de nada lhe servirão. Os três castigos que o torturam, que não se pode abandonar e que são a razão de sua existência.
Ele representa o Todo como sendo seu exato oposto... A resposta final para tantos séculos de dúvida!
Conforme a água ferve e ele voa em direção ao céu, sobra no leito do mar uma nova questão: Se o Todo é absoluto e a tudo engloba, o que resta fora dele para ser seu Oposto? Nós não saberemos a resposta, ela está no Infinito que não podemos compreender. Lord Gabe, porém, não apenas sabe a resposta. Ele é a resposta...
Conforme Lord Gabe MacArthur caminha no leito profundo do mar, a poeira da lama cobrindo suas pegadas, as sombras rodam e formam imagens na água. Pessoas, lugares, tempos diversos e tão frívolos quanto os reais: com apenas um gesto, ele dissolve as aparições num redemoinho gélido.
Está tão profundo que não existe vida ali. A pressão é constante, assassina, e o frio vence a chama de qualquer existência. Um lugar jamais tocado pela luz, sem cor ou som. Seria esse o fundo do mar ou apenas um retrato de seu interior? Uma pergunta tola que ele se faz... Mas ele não se permite pensar sobre si mesmo. Isso só faz aumentar o desgosto pela sua existência onírica e desejar mais ainda a sazonalidade do mundo. Enquanto o Universo que ele encarna persegue a eternidade, ele apenas quer um fim para tudo! Quanto mais ele pensa sobre si mesmo, mais transtorno esse paradoxo gera...
A verdade, porém, cruza sua mente como as pedras afiadas do solo cortariam seus pés, caso não se despedaçassem antes dele tocá-los: O Universo busca a eternidade, mas ele já é eterno... Ele não representa o Todo, ele está além disso, muito além. Ele é o vazio que fica quando o objetivo é conquistado e a dor de perceber que não era exatamente aquilo que deveria ser buscado. Ele é o sucesso, o ápice de tudo aquilo que a humanidade nem consegue imaginar. Enquanto eles buscam o Eterno ele já conquistou o Eterno, o Perfeito e o Infinito. Os três tesouros que a humanidade jamais terá, que ela busca eternamente e que de nada lhe servirão. Os três castigos que o torturam, que não se pode abandonar e que são a razão de sua existência.
Ele representa o Todo como sendo seu exato oposto... A resposta final para tantos séculos de dúvida!
Conforme a água ferve e ele voa em direção ao céu, sobra no leito do mar uma nova questão: Se o Todo é absoluto e a tudo engloba, o que resta fora dele para ser seu Oposto? Nós não saberemos a resposta, ela está no Infinito que não podemos compreender. Lord Gabe, porém, não apenas sabe a resposta. Ele é a resposta...
sexta-feira, 26 de setembro de 2003
Essas palavras podem ser o último sopro de insanidade que me garante certa genialidade, grande brilhantismo... Parece que agora existem duas partes em mim etermamente conflitantes: aquela parte diferente das outras pessoas, a parte desperta, fria, radamânica, beyond, sobrenatural, genial, superior e a parte comum, humana, com sentimentos, ordinária, atarefada... São partes conflitantes dentro de mim, mas sempre a primeira se manteve mais forte e aniquilou a última... Mas agora não mais...
Eu me digo que me torno normal não em meus atos e ações, mas em meus pensamentos, opiniões, sentidos... Havia um tempo em que eu poderia fazer tudo, que eu simplesmente podia... Mas hoje não mais... Eu sinto que agora conheço minhas limitações, mas a parte antiga diz que eu as estou criando, pois elas não existem...
A parte antiga quer voltar, a parte normal não aceita, acha tudo que eu fazia antes muito ilógico, apesar de sempre ser baseado na lógica... É claro que isso não se torna nenhum paradoxo, visto que hoje não tenho mais a capacidade de entender meus pensamentos de outrora... Não sei se poderei voltar a ser o que era, só o tempo dirá...
Tempo... Antes isso não importava em nada... Eu conseguia ver além dele, no futuro e no passado... Eu compreendia as relações causais ocultas e nem sempre tão visíveis, eu podia manipular os pensamentos de muitos, eu podia, podia tudo! Não havia o que escapasse da minha compreensão! Agora minha visão é tão limitada que eu compreendo apenas o que eu posso ver e não atravesso mais o plano do óbvio...
Eu sinto essas forças sendo minadas dentro de mim de uma maneira tão profunda que, mesmo com todo o meu empenho e vontade, eu não consigo voltar a ser o que era...
Vou ter que reaprender tudo... Vou ter que nascer outra vez...
Eu me digo que me torno normal não em meus atos e ações, mas em meus pensamentos, opiniões, sentidos... Havia um tempo em que eu poderia fazer tudo, que eu simplesmente podia... Mas hoje não mais... Eu sinto que agora conheço minhas limitações, mas a parte antiga diz que eu as estou criando, pois elas não existem...
A parte antiga quer voltar, a parte normal não aceita, acha tudo que eu fazia antes muito ilógico, apesar de sempre ser baseado na lógica... É claro que isso não se torna nenhum paradoxo, visto que hoje não tenho mais a capacidade de entender meus pensamentos de outrora... Não sei se poderei voltar a ser o que era, só o tempo dirá...
Tempo... Antes isso não importava em nada... Eu conseguia ver além dele, no futuro e no passado... Eu compreendia as relações causais ocultas e nem sempre tão visíveis, eu podia manipular os pensamentos de muitos, eu podia, podia tudo! Não havia o que escapasse da minha compreensão! Agora minha visão é tão limitada que eu compreendo apenas o que eu posso ver e não atravesso mais o plano do óbvio...
Eu sinto essas forças sendo minadas dentro de mim de uma maneira tão profunda que, mesmo com todo o meu empenho e vontade, eu não consigo voltar a ser o que era...
Vou ter que reaprender tudo... Vou ter que nascer outra vez...
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