segunda-feira, 12 de setembro de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Anéis de Fumaça
Eu sou um criador de anéis de fumaça, e insiro neles um tom branco que não existe em mais nada em minha vida. Sou um artista das pérolas mais efêmeras.
Se me deparo com uma pequena brisa, por mais ínfima que seja, eu me torno um nada, um reles alguém sem nenhum talento. Mas ninguém me supera quando não existe movimento.
Minhas obras de arte crescem, se afastam de mim. E somem. Eu lhes dou vida, mas não tenho nenhum controle sobre elas depois que deixam meus lábios. São como palavras sem registro, e sua beleza só pode ser capturada em lembranças. Eu não sou um artista do concreto e de nada palpável.
Minha obra prima, em alguns segundos, não existirá mais.
E na madrepérola de meus anéis eu vejo todos os rostos passarem. Rostos que eu feri e sacrifiquei, mais do que a minha arte fere e sacrifica a mim mesmo.
A todos esses rostos, eu quero pedir desculpas, e eu faço questão de lembrar seus nomes antes do vento os dissipar. E tento sentir suas dores... As dores que eu causei.
Mas eu sou um artista, e preciso de mais rostos e histórias para minhas criações. A cada novo dia, eu tenho uma nova vítima. E uma nova culpa. Peço para que não se movam pois, como um pintor, preciso capturar um breve momento... E a menor brisa pode me deixar sem nenhum talento.
E meu sopro, minhas palavras são um veneno para mim. Meus pulmões se tornam negros, mas minhas obras serão sempre brancas.
Elas são todas mentiras.
Em alguns minutos, não saberei mais se são um delírio ou uma lembrança. Não posso tomar crédito ou provar que existiram. São apenas mais rostos tristes em minha cabeça. E eles fazem meus olhos arderem e deixam em minha boca um gosto ruim, amargo...
Mas anéis de fumaça são tudo o que eu sei fazer. Um monumento ao que não sobrevive ao movimento. Algo que nunca existiu.
Então, me desculpem, e não me culpem. Eu não sou um monstro feito de pedra ou um demônio com entranhas de fogo. Eu sou apenas um artista sem uma obra para mostrar. Só um criador de anéis de fumaça.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
O Caos e Eu
Por anos venho me sentindo fraco. Meu ser não transborda mais o mesmo poder de antes. Não sinto mais a imensidão vazia infinita. (Devo admitir que isso parece reconfortante, não fosse pela outra forma de vazio que tomou seu lugar: o vazio da mente, da alma, da ganância por grandeza). Morreu o espaço amplo aonde as grandes idéias surgiam.
Eu controlava tormentas, ventos, trovões e tempestades. Eu dominava mentes e espíritos e vontades. Minhas mãos podiam curar ou ferir com um único toque... Eu criava Pensamentos Vivos a partir de minha própria Vontade, e minha vontade apenas! Agora, posso ver apenas a superfície das mentes alheias, e mesmo a minha própria foge de meu controle de tempos em tempos. Isso costumava ser... Inimaginável! Esqueci todo meu conhecimento arcano, e os poucos feitiços de que me recordo... Bem, não tenho mais o poder para lançá-los.
Quando eu expulsei o Caos de dentro de mim, eu buscava conforto; a capacidade de aceitar me resignar. Eu tentava me adaptar, lidar com minha nova vida trivial, mas agora eu vejo que o Caos tinha um último truque guardado em sua manga: Ele atendeu meu pedido, partindo com um sorriso presunçoso nos lábios, e disse: "Tome Cuidado com o quê você deseja!". O próprio Caos me recomendou que tomasse cuidado... Eu deveria ter-lhe dado ouvidos!
Agora eu sou Par e sinto falta de ser Ímpar. Refiro-me a mim mesmo como "homem" não com o sentido de "Ser humano de sexo Masculino", mas sim como "Adulto", pela primeira vez em toda minha vida.
Eu imploro para que o Caos retorne... Mas meus feitiços não funcionam...
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Of Vows
Never Compromise- Not Even In The Face of Oblivion! A vow that I took unknowingly at birth of my conscience, and to which I try to remain true.
I've been successful so far. The trick is old, all you have to do is figure out who you want to be... And then be it! Don't let yourselves be fooled - we all build ourselves, from a bunch of spare parts we pick up here and there during the days of our lives. Figure out who you want to be - how the parts will fit, what they will become. Know it from the start, and there will be no need to go back.
I've allowed none to rob me from myself. During all this years, I've listened to my guts and acted according to my design. And all my mistakes were chosen by myself, therefore no regret befalls me. And so it will remain in the years to come, as I take a new vow: I shall say no word other than my own.
And thus I remain myself. And, in the end, I will be able to say, with the pride of an honest man: "I've lived my life free of compromise!" and I will step into the shadows without complaint or regret...
... and the never-ending darkness will mean just unending rest to me.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Academia: a Fábrica de Idiotas.
"Instituição": conjunto de práticas, costumes e convenções sociais.
Aqui eu falo sobre os Institutos aonde a perpetuação nefasta de ama ideologia específica e particular é o objetivo real. Aonde o Livre-pensamento morre, e com ele morrem também a evolução humana, a Ciência e a maior parte do potencial da raça humana. Lá imperam a destruição do bom-senso, a total ausência de pragmatismo, a prática de um exercício meramente teórico fora de contexto apresentado como uma "alternativa revolucionária, porém viável". Eu tenho uma novidade para vocês, acadêmicos: no Mundo, nenhuma de suas pautas é relevante ou mesmo real. Aquilo que vocês chamam de "discussão atual" em suas salas de aula e audiórios vazios são fábulas e contos e produtos desse seu microcosmos irrelevante. Ninguém se importa, de nada servem! Vocês estão perseguindos fantasmas de sonhos, nada mais, com uma paixão que, se devotada ao mundo real, poderia fazer alguma diferença mensurável. O que vocês estão fazendo não é Ciência, é uma perda de tempo.
Importante notar: longe de mim repudiar o ensino, o estudo, ou o lado nobre da Ακαδήμεια. Eu sou a favor do conhecimento a qualquer custo, inclusive acima as questões e auto-limitações "éticas", mas o conhecimento real jamais será atingido enquanto a Ciência for poluída pela agenda do ego dos "Institutos". Para a Ciência, é mais importante estar Errado do que estar Certo. As maneiras escusas de se promover a perpetuação de uma ideologia irrelevante por puro delírio e pela ânsia de sanar sua megalomania inerente é o erro. Também não sou utópico de acreditar que qualquer um de nós consegue deixar nossa ideologia pessoal de lado por um instante que seja, mas condeno acima de tudo o esforço de transformar cada ser pensante em um novo portador do vírus da Ideologoa sutilmente Imposta.
E um por um os grandes caem por terra, sem notar que não se tornam nada além de jogadores acéfalos de futebol, com seus discursos genéricos prontos e ensaiados, que eles disparam sem pudor para responder qualquer pergunta que lhes é direcionada. Autômatos, robôs programados e sem a capacidade de escapar do raciocínio cíclico que eles acreditam ser de sua própria autoria. Em suma, idiotas! Idiotas dotados de renome e vetores de uma ideologia podre, morta e que deveria morrer em seu ciclo natural.
Essas ideologias baratas são bem apresentadas, e a genialidade é justamente essa: Elas capturam as maiores mentes, oferecendo-lhes aquilo que elas mais amam: apenas lacunas! Mostram causas e consequências (tendenciosamente escolhidos) e deixam os espaços em branco para as grandes mentes preencherem com sua lógica inigualável. Os grandes pensadores usam suas capacidades intelectuais díspares para preencher as lacunas (da maneira prevista), formulando "suas próprias idéias", que nada mais são do que caminhos pisados, esperados. O orgulho então, os faz crer que aquelas idéias são suas idéias originais, e não algo implantado em suas cabeças, e assim se tornam ferrenhos defensores das idéias de outros, achando que são apenas suas.
Mas o verdadeiro pensador deveria estar acima disso, e deveria questionar e repudiar qualquer "causa e consequência" que lhe for apresentada em bandeja de prata. Cada verdadeiro pensador tem sua própria Escola, fundada e seguida apenas por ele mesmo. Mas ninguém se interessa em formar gênios assim... O ego Institucional clama pela idiotização coletiva. Querem estar na frente sem precisar caminhar, mas esperando que os outros caminhem para trás. São o cúmulo da inutilidade, pois fazem tudo isso para "vencerem" em um jogo por eles inventado, que existe apenas em suas cabeças e que não é jogado por mais ninguém.
E neste microcosmos do Limbo, algumas das maiores mentes já se perderam. What a shame...
Mas esta é, acima de tudo, minha visão, e todos estão livres para pensarem o que quiserem sobre o tema.
sábado, 28 de agosto de 2010
Coin-Operated Boy
Eu fico, então, no meu canto escuro, imaginando por dias a fio o que têm esse poder de alterar tanto meu estado de espírito? Por qual fresta em minha armadura essa influência se aproxima, por onde começa a me despir?
Não que eu esteja reclamando, que fique bem claro. É o que me faz sentir que ainda estou vivo, de tempos em tempos! Mas eu também fico curioso, se existe um botão, um gatilho simples que inicie esse processo, algo que eu desconheça completamente.
Talvez, de tempos em tempos, na vida de todos nós, aparece alguém com a moeda certa para nos fazer funcionar...
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Verborragia exagerada tira o brilhantismo da coisa...
Bens fabricados em linhas de montagens, ao estilo Henry Ford, nunca tiveram tanto brilho ou valor quanto aquelas pérolas únicas, trabalhadas individualmente. Mais vale o "feito à mão" do que o "Made in China". Prefiro a Ferrari ao Ford T.
Ok, nada de genial até aqui, pode-se argumentar. "Isso não passa de senso comum", diz o chato, e eu estou de acordo.
O que me fez pensar nessa idéia por outro ângulo hoje foi encontrar uma blogueira pelos caminhos do mundo e ler o que ela dizia. Um post do meio de Agosto. O anterior, do fim de Junho. Comentei com ela sobre o vão entre as atualizações e sua resposta me soou familiar:
"Um pouco de medo de acabar deixando o conteúdo meio banal, sabe?"
Familiarizado que sou com esse conceito, logo me lembrei do medo que ela mencionou: o medo de deixar a verborragia exagerada tirar o brilhantismo da coisa. "Eu já caí nesse erro antes", pensei com meus botões, e fui reler os arquivos antigos, com os olhos de quem espera encarar na face os fantasmas dos erros passados. Muitos textos curtos, sem significado, falando sobre as banalidades da vida, que a ninguém interessam. Piadas sem graça, comentários inúteis, que só fazem poluir aquelas outras produções das quais eu me orgulhava: Os textos sombrios, pesados, líricos, cheios de significados ocultos.
Eu fiz uma escolha naquela época: Manter o hábito de escrever vivo, com novidades, por mais ínfimas que fossem, para manter as pessoas frequentando meu canto, na espera da aparição da próxima Prima Donna dentre todas as outras cantoras baratas de cabaret.
Essa escolha foi um erro.
Conteúdo barato, inútil, apenas afasta e denigre a imagem. O criador não pode ser descaracterizado por sua criação: sua ausência prolongada gera curiosidade, expectativa, e não frustração. O escritor é parte da sua obra, da sua mística, e transformar o autor em algo comum, em "apenas um entre tantos" (como fazem os pequenos relatos de mediocridade) limitam o impacto daqueles textos que almejam ser diferentes, profundos, artigos raros que ninguém mais poderia criar.
Encontrei, também, um terceiro tipo de obra, aberrações tristes e frustradas: os textos que não eram nem banais e nem originais, apenas produtos de uma inspiração artificial. Os batizei de posts-Homúnculos. Eram os frutos de meu chicote sobre mim mesmo, ao me forçar a produzir algo artificialmente. Desta alquimia barata, de pouco me orgulho.
Enfim, os anos se passaram, a necessidade por público decaiu. Quem sabe agora, com a paciência que a idade nos dá, eu não consiga superar o instinto de manter as linhas de produção constantemente abertas?
Será que agora os longos períodos de silêncio não irão mais me constranger?
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Antigas Escrituras #11
Existem nele regras inflexíveis e fatos imutáveis, uma prisão para a carne e os ossos e muito pouco há além do que nossos olhos são capazes de ver e nossas mentes de, um dia, compreender.
Mas, e se não fosse assim? E se a realidade fosse algo fantástico, muito além da matéria crua e da rocha dura? E se, como toda rocha, a realidade pudesse ser transformada em areia, sem forma, a escorrer pelos vãos de nossos dedos, capaz de ser moldada por nossa vontade? Quem sabe, o mundo só seja sólido pois ninguém antes testou de fato sua consistência e nós nos deixamos levar por uma realidade mais simples. Quem sabe, nos faltem apenas os instrumentos do escultor?
E se, de fato, o mundo não for feito de rocha sólida e nós aprendermos a lhe dar a forma que desejarmos, será que ele se tornaria um lugar melhor?
quarta-feira, 27 de julho de 2005
Antigas Escrituras #10
Mas agora não dá mais tempo para nada disso.
segunda-feira, 6 de junho de 2005
Antigas Escrituras #8
É outro espaço marcado inspirado em lembranças. Lembranças de mais ninguém. E pensando se descobre o que se quis saber, mesmo antes de reconhecer que o oculto é sempre mais simples. Mesmo antes de imaginar todos os motivos que levam até a loucura, alguém já passou por aqui.
Não sei ao certo o que procuro. Não sei dizer. É mais fácil pra mim imaginar o que os outros procuram aqui, vagando e tentando descobrir o que eu também não entendo. Isso eu posso fazer! Quem sabe seja a liberdade que se ganha ao se romper com a verdade que me permite responder sobre os outros melhor do que sobre mim mesmo... Eu só posso imaginar.
Laços antigos atam até o que é novo. Uma espiral do eterno retorno. Novamente, tudo retorna sem dormir, sem perder tempo algum logo após ter descartado todo o tempo do mundo. As nuvens continuam no céu e nós continuamos no chão. Mesmo se eu voasse, acho que continuaria no chão. Afinal, eu sempre fui mais próximo das nuvens que do céu.
Têm coisas caindo sobre nossas cabeças. São pedras, plumas, sei lá. Quanto mais se espera, mais tempo se demora. O alerta vive uma surpresa a cada segundo. Eu sei que não faço sentido, mas eu já havia dito que nem mesmo entendo o que procuro aqui.
Cada um que se empenhe em descobrir.
domingo, 17 de abril de 2005
Antigas Escrituras #7
Me desculpe por ser assim, tão alienado, tão absorto em mim mesmo. Talvez você me veja como um poço infinito de preconceitos, de mentiras e hipocrisias, mas não é assim. Eu me esforço, tento fazer meu melhor... Mas existem horas em que isso não é o bastante! E que culpa tenho eu?! Eu posso ser acusado de egoísta, medroso e cego, mas também não seja tão rígida assim! Todos são diferentes, ainda bem! Quem sabe um novo ciclo não te ajudará?
Eu não vou conseguir dormir mesmo. Fico aqui, suando e bebendo e pensando que agora é tarde demais. Pensando que, se tudo ocorresse de novo, eu não faria diferente. Pq eu não tinha escolha, entenda, são coisas mais fortes que minha simples existência. São experiências passadas tão minhas que não usarei para me salvar... E elas teriam esse poder...
Que assim fique, então... Mas que fique registrado que não era essa minha vontade!
quarta-feira, 8 de setembro de 2004
Antigas Escrituras #3
Amém.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2003
Antigas Escrituras #1
Acordei para desafiar milhares de anos de história e natureza. Não para chegar em lugar algum, mas apenas por fazê-lo. Só pelo movimento e pela satisfação de ir onde ninguém foi antes. É algo como pisar pela primeira vez na Lua. Meu objetivo é a dinâmica, a cinemática, o movimento...
Pensar hoje é um hobby; sentir, um desafio. Desvendar é minha vontade e inovar meu resultado.
São desafios perigosos, sem dúvida, mas é por isso que eu os anseio... Quero convocar Cthulhu apenas para aprisioná-lo novamente nas profundezas do oceano...
sexta-feira, 26 de setembro de 2003
Eu me digo que me torno normal não em meus atos e ações, mas em meus pensamentos, opiniões, sentidos... Havia um tempo em que eu poderia fazer tudo, que eu simplesmente podia... Mas hoje não mais... Eu sinto que agora conheço minhas limitações, mas a parte antiga diz que eu as estou criando, pois elas não existem...
A parte antiga quer voltar, a parte normal não aceita, acha tudo que eu fazia antes muito ilógico, apesar de sempre ser baseado na lógica... É claro que isso não se torna nenhum paradoxo, visto que hoje não tenho mais a capacidade de entender meus pensamentos de outrora... Não sei se poderei voltar a ser o que era, só o tempo dirá...
Tempo... Antes isso não importava em nada... Eu conseguia ver além dele, no futuro e no passado... Eu compreendia as relações causais ocultas e nem sempre tão visíveis, eu podia manipular os pensamentos de muitos, eu podia, podia tudo! Não havia o que escapasse da minha compreensão! Agora minha visão é tão limitada que eu compreendo apenas o que eu posso ver e não atravesso mais o plano do óbvio...
Eu sinto essas forças sendo minadas dentro de mim de uma maneira tão profunda que, mesmo com todo o meu empenho e vontade, eu não consigo voltar a ser o que era...
Vou ter que reaprender tudo... Vou ter que nascer outra vez...
