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domingo, 10 de junho de 2018

A Olhos Vistos.

Conheço esse teu olhar torto,
É estranho, eu sei,
Mas não me engano.
Não é um erro. É mais humano.

Tenho por saber o que estranho,
E este olhar torto encara a dúvida com certeza,
Encara a resposta com escárnio,
E a desafia a se firmar como tal.

Mesmo assim, no fundo dos olhos,
Ignoro o fato de que nada importa,
Essa é a única ignorância que leva em frente.
Todas as outras só me olham torto com estranheza.

Talvez seja estranho, percebo,
Que, neste mundo de Pessoas,
Eu me faça Campos.
Mas é parte de minha alma,
Ou de qualquer coisa que a valha,
Que reside no fundo dos meus olhos.

Nada no mundo nos é dado.
Tudo é dado,
Que não nos dão, mas que os tomamos,
Simplesmente ao olhar.
Talvez não ao olhar... Mas talvez ao ver.

E com tudo que se passa,
Este olhar fica torto,
E quanto mais me olham estranho,
Mais digo que tudo bem.

domingo, 12 de junho de 2016

A noite escura.

Na noite escura, escurecendo, um brisa sutil desce do alto dos céu e varre os rostos dos homens. O frio que corre por suas peles não é distante do frio que sobe por sua espinha conforme caminha por um cemitério. Sim,aquela brisa fria é o mesmo hálito gélido dos mortos.

Mas este ar que eu respiro tem algo de incrível; este ar que enche meus pulmões também preenche minha alma e uma velha fome que eu não mais lembrava ter. E vejo no céu escuro uma massa ainda mais escura que o vento carrega no alto dos céus: é o rugido do trovão, a nuvem de chuva, eles vêm a mim novamente! Minha tempestade perfeita, por tanto tempo distante, retorna para o local de onde veio para preencher meus pulmões e alimentar minha alma, meu apetite por poder e propósito.

Ela é bem-vinda, a tempestade consegue sentir. O vento cortante varre meu rosto e eu sinto seu abraço poderoso. Ele me recarrega e eu surjo, renascido, para ver o mundo de uma maneira conhecida apenas por mim. O azul elétrico do raio toca minha pele e se transforma em um brilho dourado. O furacão afia a lâmina em minha mão direita, tão afiada que pode cortar um pensamento antes dele ocorrer. A chuva chega e lava os fragmentos de Passado que se agarram a mim, as memórias de um tempo em que eu havia me esquecido de quem era.

 E o hálito dos mortos que traz o frio, para mim é a marca de grandes eventos a se desdobrar neste mundo que, novamente, sou capaz de ver. E nunca mais minha tempestade para longe de mim irá correr.

   (Minha versão deste meu texto)

terça-feira, 24 de março de 2015

Viajem para a Lua

De que me serve tudo isso?
Nada adiciona e, francamente, sinto que me subtrai.
Subtrai-me o ar livre e a luz do sol,
Dos quais não sinto falta, mas subtrai-me também a luz das estrelas,
E a face da lua que se esconde entre as nuvens.

Sobra-me só a chuva, e só por que ela força os animais para dentro de suas tocas.

E tudo tem lágrimas demais, e opiniões,
E as verdades já as conto em mais de 7 bilhões,
Absolutas, mas efêmeras como as gotas da chuva.
E minha verdade, que só é verdade na metafísica das verdades,
Se encolhe solitária em nossa toca.

E são emoções, que se confundem com razões,
Que se trocam por desejos e se perdem em argumentos,
Todos já perdidos.
E meus argumentos, que não se tomam por nada mais,
Subtraem-se de seu valor inerente.

Mas as nuvens abrem um pequeno espaço,
E o olho bom da lua de Méliès me espia,
Me dizendo que tudo é ficção e fantasia,
E que aquele que só é dotado de lágrima e opinião,
Aquele feito só de verdades e emoção,
É a pessoa verdadeiramente vazia.
E que quanto mais subtraem do que de mim está fora,
Mais se prova que em mim contenho todas as curvas do mundo.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Ciência

Eu já lhe olhei tanto,
Com olhos semicerrados em uma dúvida fundamental, quântica...
E contei giros, rodas e voltas
Contei histórias como quem as lembra.

Tenho hoje uma certeza profunda,
Inabalável como a convicção dos jovens,
Que as lacunas que me tiravam o sono
Eram apenas o espaço que vem depois do fim.

Eu sei que posso estar errado,
Mas não lhe farei mais perguntas.
Eu sei que espero estar errado,
E que perguntas, olhares e dúvidas
E questões e idéias e teorias e tudo,
Por mais que assim sejam concebidas, não têm em si relação alguma com o objeto,
Eu sei que o Objeto só tem relação consigo mesmo,
E só tem os compromissos que assume consigo mesmo,
E que, por si só,  nunca inclui as respostas.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O meu mundo.

Os ventos em minha alma nunca deixam de soprar;
É o ar de muitas vidas do qual vou me alimentar;
Em cada sopro, a cada arranque, sinto o vento me levando;
E quando sento em meu trono azul-turqueza refulgindo;
Sinto os anjos me olhando, cantando enquanto estou caindo.

É um mundo que me espera, com a morte e meus rivais;
Sem sonhos ou esperanças, aqui não cantam meus pardais;
A cada dia que se passa o meu alívio vai surgindo;
A cada monstro do qual corro meu caminho vai se abrindo;
E então, com um passo em falso, grito enquanto estou caindo.

Paro no vazio, sem ninguém a me olhar;
E os anjos vão embora: Eles não podem mais cantar;
Suas asas brancas cortando o céu vão sumindo;
Mas já é tarde pra notar que você não está caindo.

E você se debate, se contorcendo em desespero;
Tenta fugir de sua casa, correr enquanto está inteiro;
Mas eu sei e não me engano que enquanto estou resistindo;
A corda vai se apertando e vai selando meu destino.

Mas meu mundo é assim mesmo, estranho, não se engane;
Tem belezas que assustam e tem cercas sem arame;
Seja vida, seja morte, seja tudo que se fez;
Se gostou, seja bem-vinda. Se não, olhe outra vez.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Canto I - The Voyage, by Ezra Pound

Thus with stretched sail, we went over sea till day’s end.
Sun to his slumber, shadows o’er all the ocean,
Came we then to the bounds of deepest water,
To the Kimmerian lands, and peopled cities
Covered with close-webbed mist, unpierced ever
With glitter of sun-rays
Nor with stars stretched, nor looking back from heaven
Swartest night stretched over wretched men there.
The ocean flowing backward, came we then to the place
Aforesaid by Circe.
Here did they rites, Perimedes and Eurylochus,
And drawing sword from my hip
I dug the ell-square pitkin;
Poured we libations unto each the dead,
First mead and then sweet wine, water mixed with white flour.
Then prayed I many a prayer to the sickly death’s-heads;
As set in Ithaca, sterile bulls of the best
For sacrifice, heaping the pyre with goods,
A sheep to Tiresias only, black and a bell-sheep.
Dark blood flowed in the fosse,
Souls out of Erebus, cadaverous dead, of brides
Of youths and of the old who had borne much;
Souls stained with recent tears, girls tender,
Men many, mauled with bronze lance heads,
Battle spoil, bearing yet dreory arms,
These many crowded about me; with shouting,
Pallor upon me, cried to my men for more beasts;
Slaughtered the herds, sheep slain of bronze;
Poured ointment, cried to the gods,
To Pluto the strong, and praised Proserpine;
Unsheathed the narrow sword,
I sat to keep off the impetuous impotent dead,
Till I should hear Tiresias.
But first Elpenor came, our friend Elpenor,
Unburied, cast on the wide earth,
Limbs that we left in the house of Circe,
Unwept, unwrapped in sepulchre, since toils urged other.
Pitiful spirit. 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Into Hell

So I covet the fires eternal
The Brimstone waves washing over me
A land of no rules and no sins
An Endless field of no wrong deeds


And in the brimstone gleam I found no Kin
As in all the drafted and dragged I find myself to be
The only soul to ever seek damnation

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Te entrego minha derrota.
Na bandeja de prata, minha cabeça,
Na ponta da faca, meu pescoço.
Não tenho nenhuma canção de vitória,
Que tenha seu nome.

Entrego-lhe livremente minhas glórias,
Voluntariamente, me curvo e lhe saúdo.
Te reverencio, vencido,
Por ter ganho sem ao menos ter lutado,
Por ter ganho sem haver me combatido.

Essa sua arma secreta faz de mim,
Do meu próprio corpo, sua baínha.
Você não a saca e ela me corta
E não há armadura que impeça o golpe,
E eu caio...

E de joelhos lhe entrego sua Vitória
Você nem mesmo sabe que houve uma luta!
Mesmo assim, sempre soube que a conquista era tua.
Já que não tenho contragolpe que lhe possa tocar.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Para Kawabata, com devoção.

Qual é o som da montanha? Qual a súplica da raiz profunda que não se move jamais? O que deseja aquilo que não muda?

Aonde vai parar o sopro do vento?
Aonde vão todas as almas humanas?

Qual foi a vista que nunca se viu? O conhecimento que se perdeu? O segredo que não se revelou? A criatura que não nasceu?

Quem teve uma vida e não a viveu?
Quem teve emoção e não a aproveitou?

Qual foi a terra que não se pisou? Qual foi a fonte que não se provou? Qual foi o toque que não se sentiu? Qual foi o som que nunca se ouviu?

Qual é o som da montanha?

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Por outra perspectiva

E o medo era justamente…
Era novo e muito diferente.
É assustador,
Era aquele turbilhão
Aquelas novas sensações,

Não lhe ocorreu a costumeira indagação
Era certo demais.
Parecia certo, daquela vez.
Era bom demais.

E o medo era justamente…
Era aquilo, então.
um erro tão adequado…
O mesmo erro, era bom demais.

O que estaria deixando para trás?
Era hora de ver,
Era hora de viver!
Era preciso destruir o Mundo ainda mais!

Queria colocar tudo para fora,
E o medo era justamente
Certo demais...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A Dark Lord and his Red Queen

As I forever rule in darkness, behind the shadows that cover the hearts of men, the infinite emptiness of space and time spreads too far for the lonely mind to bear.

And so in the edges of my Being that are touched by the rays of light she is born, a Ruby corona that spreads life and warmth into the Unbearable Nothingness. She extends her Razor-sharp hand, breaks all my defenses and reaches deep into my core. She crosses unthinkable spaces in the time of a heartbeat and stares right at my face.

My true face.

And we smile. Our true faces come closer... and closer...


_______________________________


Her crimson satin draped frame twists around the black fabric. And easy as that, a Dark Lord no longer rules alone. They fly around their dominion, hand in hand, never letting go. She reaches the surface and the bright spots that he does not care to visit, while he dwells and controls the Darkest corners that she is afraid to get to know any better.

She tries to remain in the light, as she fears the darkness in her. But the darkness is his Realm, and he will keep her safe from it.

And the light is his pain, and is alien to him, but she casts it in a scarlet hue that brings life and joy and leaves things no less grim. In the light of his Red Queen, he feels grateful for being alive!

And they are now together, and nothing can do them apart, for where one fails, the other shall prevail. A fallen angel and a fiery muse in a blur of an embrace never before seen by men. Never apart by more then a thought: The Dark Lord and his Red Queen!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Starless Night

I am sorry for this starless night.
I apologize to you.
I brought forth a darker sky of my own making,
and didn't offer you any light.

I am so sorry that the heavy clouds have covered the moon.
They have hidden it away.
You have been longing for that beacon of hope to come out...
But it won't.

I regret to inform you that the dawn is not coming.
Not so soon.
I've pushed the sun down below the horizon, just to make my perfect night a little longer.
Once again, sorry for taking away your light.

But don't you worry.
I'll ask the lighting to come down.
It will shout to greet us and show us around.
And the warm rain will take away the cold.
I'll make the heavens cry for you!
In this shower of tears and blood, we will bath.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Hoje...

Hoje eu tentei fazer minhas malas,
Ir embora.
Mas a estrada segue em frente,
Sem que nunca termine.
E é mais fácil mover as coisas,
Do que mover a você mesmo.
Hoje eu tentei partir,
Mas estou preso.

Hoje eu resolvi arrumar tudo,
Resolvi mudar.
Olhei o que estava errado,
Mudei um pouco.
Mas nada saiu do lugar.
Os problemas sempre vão voltar.
Hoje eu resolvi mudar,
Mas em certos assuntos tenho medo de tocar.

Essa noite decidi me resolver,
Consertar tudo.
Pôr um fim em tudo que me incomoda,
Que me afeta.
Tentei resolver as questões,
Que ninguém me perguntou.
Essa noite vou consertar tudo,
Para amanhã quebrar de novo.

Hoje eu tentei me afogar,
Acabar com tudo.
Certas horas o que importa é o alívio,
Sem preocupação.
Tem horas que o egoísmo domina,
Tem horas que é a razão.
Hoje eu tentei me acabar,
Mas muita gente não deixou.

Agora eu quero me explicar,
Aliviar a carga.
Remédios faixa preta vão levantar,
São toneladas que não posso carregar.
Milhares de quilos que vou levar,
Em cada pensamento meu.
Hoje quero desabafar,
Mas são poucos os ouvidos para escutar.

Mais uma vez venho suplicar,
Me humilhando,
Para que ninguém me diga,
Ninguém me lembre,
Que para alguém tão fechado e frio,
Eu falo demais sobre o que eu sinto.
Mais uma vez eu peço,
Que me deixem enganar a mim mesmo.

Hoje eu resolvi fugir,
Me esconder.
Não posso encarar o que deveria ser.
Quando tudo dá errado,
E muito disso é minha culpa,
Eu me sinto simplesmente acabado.
Hoje eu tentei me esconder,
Mas nem pra isso me restam forças.

Hoje eu mereço me culpar,
Enfrentar os erros.
Mas eu sinto muita dor,
Ao procurar meus defeitos.
E quando os encontro
A ferida não se fecha.
Hoje eu vou enfrentar meus erros,
Mas dói saber que não vou parar de errar.

Estou preso.
Em certos assuntos tenho medo de tocar.
Amanhã quero quebrar tudo.
Muita gente não vai deixar.
Mas serão poucos os ouvidos para escutar.
E me deixarão enganar a mim mesmo.
Mas nem para isso me restam forças.
E dói saber que não vou parar de errar.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

E conforme a onda se aproxima da encosta
Eu não a temo, pois meu corpo, feito de rocha
É mais sólido que a dor do impacto

E as chamas do Sol que nos aquecem e confortam
Eu não as quero, pois minha alma, feita de lava
É mais quente que o calor do fogo

E a luz fria das estrelas distantes,
Eu não as vejo, pois meus olhos, feitos de diamantes
São mais brilhantes que o resplendor da glória

Mas o vento que tudo varre
Não há corpo que supere
O vento que tudo toca
Não há alma mais leve
O vento que tudo tem
Não há olhos mais perfeitos
O vento que tudo vê
Não leva nome ou sentimentos

O vento leva a dor do impacto
O vento rouba meu calor
O vento apaga minha glória
O vento esquece meu fervor.

Corpos se quebram
Almas se perdem
Olhos se cegam
Mas os ventos
Não param jamais.

quarta-feira, 8 de setembro de 2004

Antigas Escrituras #3

Mais uma vez? Não, não quero! Pelos campos cinzas da derrota eu não vou rondar! Meu canto se esgota enquanto eu fico ansioso esperando o que não vai poder chegar e, ao ver que não vou a lugar algum, minha alma negra se esconde mais ainda do sol brilhante. Meu espírito tingido por anos e anos da mesma história que se repete entra de vez na noite eterna. Eu não saio mais daqui. Me condeno e me amaldiçôo pois tudo dá errado. Nada chega, nada vai. Por nenhum outro campo me permito cavalgar. Mas que vontade eu tenho de sentir o toque da grama verde e do orvalho doce! Queria que a noite me molhasse de sereno, não de lágrimas, e queria que o destino não usasse minhas próprias armas para me ferir, me matar. O futuro, meu inimigo. O passado, minha dor. O presente, minha agonia. Eu me pergunto: se o tempo a tudo vence, quanto tempo mais poderei eu resistir à mim mesmo? Meu peito explode a cada batida de meu coração quente, tão cruel comigo. Mas é bom se sentir despedaçado quando sua integridade é questionada. Eu sou a fonte de meus problemas e seus agravantes! Eu englobo todos os motivos de minha dor. Serei eu, porém, a cura? Não! Sou pestilento e tóxico e podre e vil. Não conheço sonho, sou vazio. Não tenho para onde ir, voltar ou ficar. Do nada, nada surge. Meu inimigo, o Futuro Vazio, quem sabe não exista mais, mas eu não posso vencê-lo! Pelos campos cinzas da derrota eu vou vagar, mais uma vez, para todo o sempre, além do resto dos meus dias.

Amém.

quarta-feira, 2 de julho de 1997

Meu primeiro registro escrito!

E se o mundo acabar hoje
Está tudo bem
Não tem mais nada que eu queira fazer
E pra ser sincero, eu já cansei desse jogo.

E se eu virar a mesa
Mudar as Regras
Ninguém vai reclamar
É uma questão de estratégia

E, se o mundo acabar hoje,
Tudo bem.
Eu não quero fazer mais nada
Daquilo que eu devo fazer.

Mas os mundos dos outros,
Também se acabariam?
Ou será que ele só muda
Para aqueles que o destróem?

E se eu acabar com o mundo
Muito Bem!
Não se sabe se é impossível.
Ninguém nunca antes tentou.