Bens fabricados em linhas de montagens, ao estilo Henry Ford, nunca tiveram tanto brilho ou valor quanto aquelas pérolas únicas, trabalhadas individualmente. Mais vale o "feito à mão" do que o "Made in China". Prefiro a Ferrari ao Ford T.
Ok, nada de genial até aqui, pode-se argumentar. "Isso não passa de senso comum", diz o chato, e eu estou de acordo.
O que me fez pensar nessa idéia por outro ângulo hoje foi encontrar uma blogueira pelos caminhos do mundo e ler o que ela dizia. Um post do meio de Agosto. O anterior, do fim de Junho. Comentei com ela sobre o vão entre as atualizações e sua resposta me soou familiar:
"Um pouco de medo de acabar deixando o conteúdo meio banal, sabe?"
Familiarizado que sou com esse conceito, logo me lembrei do medo que ela mencionou: o medo de deixar a verborragia exagerada tirar o brilhantismo da coisa. "Eu já caí nesse erro antes", pensei com meus botões, e fui reler os arquivos antigos, com os olhos de quem espera encarar na face os fantasmas dos erros passados. Muitos textos curtos, sem significado, falando sobre as banalidades da vida, que a ninguém interessam. Piadas sem graça, comentários inúteis, que só fazem poluir aquelas outras produções das quais eu me orgulhava: Os textos sombrios, pesados, líricos, cheios de significados ocultos.
Eu fiz uma escolha naquela época: Manter o hábito de escrever vivo, com novidades, por mais ínfimas que fossem, para manter as pessoas frequentando meu canto, na espera da aparição da próxima Prima Donna dentre todas as outras cantoras baratas de cabaret.
Essa escolha foi um erro.
Conteúdo barato, inútil, apenas afasta e denigre a imagem. O criador não pode ser descaracterizado por sua criação: sua ausência prolongada gera curiosidade, expectativa, e não frustração. O escritor é parte da sua obra, da sua mística, e transformar o autor em algo comum, em "apenas um entre tantos" (como fazem os pequenos relatos de mediocridade) limitam o impacto daqueles textos que almejam ser diferentes, profundos, artigos raros que ninguém mais poderia criar.
Encontrei, também, um terceiro tipo de obra, aberrações tristes e frustradas: os textos que não eram nem banais e nem originais, apenas produtos de uma inspiração artificial. Os batizei de posts-Homúnculos. Eram os frutos de meu chicote sobre mim mesmo, ao me forçar a produzir algo artificialmente. Desta alquimia barata, de pouco me orgulho.
Enfim, os anos se passaram, a necessidade por público decaiu. Quem sabe agora, com a paciência que a idade nos dá, eu não consiga superar o instinto de manter as linhas de produção constantemente abertas?
Será que agora os longos períodos de silêncio não irão mais me constranger?