Mostrando postagens com marcador Meta-post. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Meta-post. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Verborragia exagerada tira o brilhantismo da coisa...

Bens fabricados em linhas de montagens, ao estilo Henry Ford, nunca tiveram tanto brilho ou valor quanto aquelas pérolas únicas, trabalhadas individualmente. Mais vale o "feito à mão" do que o "Made in China". Prefiro a Ferrari ao Ford T.

Ok, nada de genial até aqui, pode-se argumentar. "Isso não passa de senso comum", diz o chato, e eu estou de acordo.

O que me fez pensar nessa idéia por outro ângulo hoje foi encontrar uma blogueira pelos caminhos do mundo e ler o que ela dizia. Um post do meio de Agosto. O anterior, do fim de Junho. Comentei com ela sobre o vão entre as atualizações e sua resposta me soou familiar:

"Um pouco de medo de acabar deixando o conteúdo meio banal, sabe?"

Familiarizado que sou com esse conceito, logo me lembrei do medo que ela mencionou: o medo de deixar a verborragia exagerada tirar o brilhantismo da coisa. "Eu já caí nesse erro antes", pensei com meus botões, e fui reler os arquivos antigos, com os olhos de quem espera encarar na face os fantasmas dos erros passados. Muitos textos curtos, sem significado, falando sobre as banalidades da vida, que a ninguém interessam. Piadas sem graça, comentários inúteis, que só fazem poluir aquelas outras produções das quais eu me orgulhava: Os textos sombrios, pesados, líricos, cheios de significados ocultos.

Eu fiz uma escolha naquela época: Manter o hábito de escrever vivo, com novidades, por mais ínfimas que fossem, para manter as pessoas frequentando meu canto, na espera da aparição da próxima Prima Donna dentre todas as outras cantoras baratas de cabaret.

Essa escolha foi um erro.

Conteúdo barato, inútil, apenas afasta e denigre a imagem. O criador não pode ser descaracterizado por sua criação: sua ausência prolongada gera curiosidade, expectativa, e não frustração. O escritor é parte da sua obra, da sua mística, e transformar o autor em algo comum, em "apenas um entre tantos" (como fazem os pequenos relatos de mediocridade) limitam o impacto daqueles textos que almejam ser diferentes, profundos, artigos raros que ninguém mais poderia criar.

Encontrei, também, um terceiro tipo de obra, aberrações tristes e frustradas: os textos que não eram nem banais e nem originais, apenas produtos de uma inspiração artificial. Os batizei de posts-Homúnculos. Eram os frutos de meu chicote sobre mim mesmo, ao me forçar a produzir algo artificialmente. Desta alquimia barata, de pouco me orgulho.

Enfim, os anos se passaram, a necessidade por público decaiu. Quem sabe agora, com a paciência que a idade nos dá, eu não consiga superar o instinto de manter as linhas de produção constantemente abertas?

Será que agora os longos períodos de silêncio não irão mais me constranger?

segunda-feira, 8 de novembro de 2004

Antigas Escrituras #4

Neste tempo em que estive meio afastado, comecei a pensar em como era difícil manter isto aqui, como era complicado sentar e escrever tudo o que eu queria, transmitir uma idéia, de uma maneira única, que me deixasse satisfeito.

Mas agora eu lembro como é tão simples, como sempre foi. Basta sentar em frente a essa tela branca e correr os dedos (sem a mesma agilidade de antes, é verdade) sobre o teclado, que as coisas fluem por sí só. Uma espécie de movimento autônomo, repassando tudo diretamente para cá. As tortuosidades e descontinuidades tão bem medidas de meus textos sempre foram obras intuitivas naturais de meu pensamento. Que o caos que reina possa se mostrar!

Mas já não tenho a mesma satisfação. É que escrever clara e diretamente nunca foi minha atividade predileta e não consigo mais achar o tempo para mascarar minhas coisas, colocá-las em novos moldes, para torná-las mínimamente interessantes. Neste exato momento estou enojado com relação a tudo isso que escrevi aqui até agora, ao ponto de deletar tudo e jogar fora mais 5 minutos de trabalho. O que sumiu, em relação a antes?

Talvez a habilidade de avaliar as coisas. Aquele meu olhar analítico e metafórico sobre o mundo certamente se enfraqueceu. Em seu lugar, surgiu uma visão focada, intensiva e que busca a clareza, não a sugestão e a dúvida. São espécies diferentes de procedimentos, mas que garantem resultados também diferentes. Os novos resultados não me satisfazem, mas tornam complicado um eventual retorno ao antigo padrão. Como diria Nietzsche, "uma aventura de sete solidões". Hoje não entendo o que isso quer dizer, mas com a antiga visão certamente poderia explicar.

Nhé.