domingo, 12 de junho de 2016
Na hora certa
sábado, 11 de junho de 2016
Falar sozinho.
O Vazio a frente me olha. Aquela imensidão, que tão bem me conhece, tem olhos negros de piedade. Ele me diz que quanto mais vazios, mais profundos somos, e mais de toda a criação nós podemos conter.
Eu olho o Vazio a frente. Esta tempestade, que tão bem o conhece, tem olhos negros de fúria. Eu lhe digo que do que os outros criaram pouco se aproveita, que uma cova rasa é o suficiente para se conter tudo o que me interessa.
O Vazio sorri. A piedade de seus olhos se esvai, pois ela era apenas malícia o tempo todo. Ele me diz que nada que existe fora jamais irá me confortar como o que existe dentro. Me diz que Ser é Sofrer, que Existir é se Perder, que me cercar de tudo que não sou Eu é me roubar de minhas maiores dimensões.
Eu sorrio. A fúria em meus olhos se esvai, pois ela era apenas malícia o tempo todo. Eu lhe digo que nada que existe fora jamais irá afetar o que existe dentro. Lhe digo que Existir não é Ser, e que Sofrer não é Perder, que não é o que me cerca que me define, e sim as minhas maiores dimensões, tão vastas que apenas eu conheço e que nada que não sou eu pode definir.
Nós nos entreolhamos pois sabemos. Sabemos que não existe beira de precipício, que quem Existe fora não é quem nós Somos realmente. Sabemos que não existe um eu e um ele, que nós somos o mesmo, infinito, com espaços se dobrando sobre si mesmos e crescendo internamente, sem acabar nunca mais... E que, do lado de fora, somos apenas um rosto, uma voz sorrindo, uma pessoa que esconde o maior segredo do mundo.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
terça-feira, 24 de março de 2015
Viajem para a Lua
De que me serve tudo isso?
Nada adiciona e, francamente, sinto que me subtrai.
Subtrai-me o ar livre e a luz do sol,
Dos quais não sinto falta, mas subtrai-me também a luz das estrelas,
E a face da lua que se esconde entre as nuvens.
Sobra-me só a chuva, e só por que ela força os animais para dentro de suas tocas.
E tudo tem lágrimas demais, e opiniões,
E as verdades já as conto em mais de 7 bilhões,
Absolutas, mas efêmeras como as gotas da chuva.
E minha verdade, que só é verdade na metafísica das verdades,
Se encolhe solitária em nossa toca.
E são emoções, que se confundem com razões,
Que se trocam por desejos e se perdem em argumentos,
Todos já perdidos.
E meus argumentos, que não se tomam por nada mais,
Subtraem-se de seu valor inerente.
Mas as nuvens abrem um pequeno espaço,
E o olho bom da lua de Méliès me espia,
Me dizendo que tudo é ficção e fantasia,
E que aquele que só é dotado de lágrima e opinião,
Aquele feito só de verdades e emoção,
É a pessoa verdadeiramente vazia.
E que quanto mais subtraem do que de mim está fora,
Mais se prova que em mim contenho todas as curvas do mundo.
quarta-feira, 11 de março de 2015
Ciência
Eu já lhe olhei tanto,
Com olhos semicerrados em uma dúvida fundamental, quântica...
E contei giros, rodas e voltas
Contei histórias como quem as lembra.
Tenho hoje uma certeza profunda,
Inabalável como a convicção dos jovens,
Que as lacunas que me tiravam o sono
Eram apenas o espaço que vem depois do fim.
Eu sei que posso estar errado,
Mas não lhe farei mais perguntas.
Eu sei que espero estar errado,
E que perguntas, olhares e dúvidas
E questões e idéias e teorias e tudo,
Por mais que assim sejam concebidas, não têm em si relação alguma com o objeto,
Eu sei que o Objeto só tem relação consigo mesmo,
E só tem os compromissos que assume consigo mesmo,
E que, por si só, nunca inclui as respostas.